quinta-feira, 6 de março de 2014

Odisseia de uma grávida que "descobre" algo inesperado...

Ontem foi dia de ir buscar as análises, mas como tenho um amigo que trabalha lá na parte do sangue, no Hospital, pedi-lhe que mas trouxesse. A mulher dele, a minha amiga que é enfermeira parteira, ligou-me a dizer que as tinha na mão. Pedi-lhe que desse uma olhadela. Quando ela me diz "olha, temos o mesmo tipo sanguíneo!" e eu "A+..." e ela "não, 0-".

Toda a vida soube que sou A+. Tenho um cartãozinho de quando nasci com o tipo sanguíneo, pois a minha mãe é 0-. Teve que levar a vacina que minimiza a reacção entres os sangues da mãe e do bebé durante a gravidez e após o parto. Foi assim nas 3 filhas, porque o meu pai é AB+, logo, nada compatível com a minha mãe no que toca a sangue. Somos todas A+. Ou pensávamos que éramos. 

Fui buscar as análises e falei com os meus amigos que me explicaram que havia muita gente mal grupada (grupo sanguíneo), porque antigamente a forma de analisar era diferente e dava muitos erros. 
O problema era só um: eu estou na segunda gravidez e nunca levei a vacina. Comecei a panicar! Não fiquei minimamente preocupada com o facto de o meu pai NUNCA puder ser AB+, pois a minha mãe é 0- e eu 0-. O meu pai teria que ser A ou B, nunca AB. Mas a minha paternidade é mais que certa, que tenho muito do lado do meu pai e nem me chateei com isso. Se o meu estava mal, o dele também poderia estar.

Mas e o bebé?
O meu marido é dador de sangue, por isso tem a grupagem registada em cada dádiva. O meu amigo ligou para o hospital e é 0+. Portanto, o Afonso pode ser + e eu posso estar carregada de anticorpos que vão combater o bebé que cresce dentro de mim. Como o Afonso não teve nenhum problema nem na gravidez, nem no nascimento, com ele não havia problema. Mas e o bebé?
Restava-me fazer uma análise específica que me diria se tinha ou não anticorpos vindos da primeira gravidez. Caso não tivesse podia descansar, caso tivesse teria que ficar alerta, pois todos os problemas que tivesse na gravidez ou no parto (comigo e com o bebé), poderiam vir desta incompatibilidade. Fiz a análise de imediato e passado uma hora recebo um telefonema. 

"Ana, podes descansar, és A+!"
O sangue que foi analisado não era meu, mas tinha o meu nome e foi parar à parte dos transplantes por engano, uma vez que essa análise nem tinha sido pedida. Agora tenho a certeza que sou A+.

Tudo isto durou algumas horas, com direito a muitos nervos, muuuuitas entradas e saídas de casa (com os 3 andares de escadas incluídos), a falar com a minha mãe e deixá-la confusa e com a minha irmã que está grávida e deixá-la preocupada por, também ela, puder ser - e ter a gravidez em risco. De qualquer forma vai fazer a grupagem para confirmar que é +. 

Conselho a todas as grávidas e mulheres que querem engravidar:
Peçam para o médico passar a requisição para esta análise. 
Os médicos raramente pedem a grupagem. É uma questão fundamental na gravidez, muito mais importante que muito factores que são analisados, mas que é descurado, pois assume-se que toda a gente sabe, com certeza, o tipo sanguíneo a que pertence. 

2 comentários:

Magda E. disse...

Credo... eu sou mesmo 0-, levei a dita injeção dps do aborto, durante a gravidez da Biela e dps. E às 28 deste lá vou levar outra vez. Ser-se - é uma treta, porque para além disso, todos os meses tenho que fazer uma análise adicional (coombs). ando smp a ser picada, o que vale é q pouco me chateia. mas os riscos, para o bebé, principalmente são muitos, se fosses mesmo 0- dizer-te-ia que tinhas tido muita sorte com o 1º.

Ana disse...

É mesmo uma situação chata. Pelo que percebi é muito mais sério do que o que se possa pensar, uma vez que a incompatibilidade pode causar problemas graves no bebé. E pode até não ter problema nenhum e ser uma sorte.
Boa sorte e tudo a correr bem.